Toca discos: Bolachas, Cookies ou Platines?


Clear audio

Criatividade? Ou Qualidade? A tecnologia re-inventando os nossos hábitos.

Ao ouvir elogios sobre as virtudes do disco vinil, e discos em mídia digital, lembro que ambos, mesmo que desenvolvidos em épocas diferentes, buscam o mesmo objetivo: Reproduzir música da melhor forma possível. Os meios para atingir estes objetivos são aparentemente semelhantes. No conceito reprodução e duplicação têm uma grande diferença entre vinil e mídia digital. A mídia digital quando codificada numericamente, registra nada menos que a estrutura física da informação sonora. Desta forma o progresso técnico é incontestável, pois não se registra a música propriamente dita; registra-se a informação codificada que permite durante a sua leitura a repetição de um processo construtivo da informação sonora sempre renovada é absolutamente íntegra. Portanto a copia digital não é uma cópia, mas sim uma reprodução de um original onde as diferenças inexistem conceitualmente.

Atualmente há muitas novidades em mídia digital: Tocadores de musica armazenada no formato MP3, por exemplo, estão cada dia mais apreciados. Estas novidades se manifestam em pequenos objetos pessoais com cores e design atraentes e em tamanhos diminutos. Produtos sedutores e clientes seduzidos pela tecnologia de compactação em tudo; tanto na forma como na função. Não me lembro ter visto qualquer propaganda para estes aparelhos sugerindo qualidade sonora. Mas quem quer qualidade hoje em aparelhos portáveis? O objetivo neste caso não seria um equilíbrio razoável em desempenho e tamanho? Outro fato relevante: Não se considera mais o mesmo atributo relacionado à musicalidade para a grande massa consumidora de aparelhos portáteis. Hoje o forte dos aparelhos portáteis não é mais qualidade sonora; mas sim a versatilidade e a relação custo/benefício. Em outros termos, quantidade hoje está acima da qualidade (fato que confesso me incomoda um pouco). É o fim da percepção refinada? Certamente não! O fenômeno é apenas uma inovação no processo de mediação e criação de novos produtos e novos hábitos.

Thorens
Voltando às origens: Os circuitos comerciais (artistas à parte) estão comprometidos com a difusão da arte. É exatamente neste campo que há progressos consideráveis. Reconhecendo que não se ouve música sempre nas mesmas condições; a mídia e a difusão são elementos que se complementam e que se apresentam de formas diferentes. Uma mídia pode ser fisicamente palpável e degradável; mas reconheço nas mídias digitais qualidade e durabilidade. Para que importa a mídia senão uma simples ferramenta que permite a movimentação da informação no espaço? Novos formatos surgem e novos hábitos também; hoje a informação digital de “descarrega” da web para seu aparelho. A informação se disponibiliza e se grava em memórias; sejam elas de estado sólido (cartões ou circuitos integrados) ou memórias magnéticas (discos rígidos). Assim como no CD de áudio, a reprodução musical e re-construída a cada ciclo de audição. A vantagem óbvia da composição numérica (digital) está na qualidade do processo de codificação e decodificação da informação sonora relacionados ao espaço físico reservado para o armazenamento no seu aparelho. Com fica a qualidade do som? O conector de interface é quase a última ponta do elo! E porque quase? Porque a última ponta do elo são seus ouvidos a partir do amplificador analógico que está sempre presente e o transdutor sonoro que é o fone de ouvido ou caixa acústica. Eu recomendo experimentar os codificadores e decodificadores como opções de qualidade em programas disponíveis na web. Considere os programas que não poupam tanto espaço físico de memória em detrimento da qualidade sonora. A qualidade dos timbres, da extensão em altura e intensidade, está relacionada com espaço de memória. Como parâmetro, considere o termo “resolução”. Experimente várias opções e confie nos seus ouvidos. Não se pode esquecer que se trata de uma reação encadeada; um único elemento de má qualidade seja ele software ou hardware, compromete o desempenho dos demais. Recomendo escolher um bom fone de ouvido ou então os chamados de “Dock Stations” que incluem amplificação em pequenas caixas acústicas. Ouvir diretamente no sou micro ou Palm? Porque não? Experimente! E faça comparações na reprodução da mesma obra em mídia digital de maior resolução. Como quase tudo na vida, lembre-se de manter um bom equilíbrio entre quantidade e qualidade.

Comentários

Anônimo disse…
Onde posso encontrar os toca discos Thorens?
Marcos Pessoa disse…
Pois é, Sami, parece que estamos numa fase mais "quantitativa" mesmo. Esses pequenos aparelhos nos permitem trazer para o portátil milhares de músicas, que varrem praticamente todo nosso repertório durante os tempos e nos apresentam e reapresentam, sem parar. Em casa vou de Laurie Anderson a Altermar Dutra sem escala, no randômico. Não fico mais escutando cada detalhe, cada sopro, cada toque de tecla, ao contrário, consumo com velocidade aguardando a próxima das 3 mil músicas armazenadas em uma pequena caixa de fósforos.

Espero que logo logo, com o esgotamente dessa compactação e com a proximidade do terabyte portátil eu posso ter uma música codificada mas cada vez mais sofisticada e que, desta forma, possamos voltar a ter o gosto e o acesso à qualidade que os velhos aparelhos nos davam antes.

Tenho certeza que isso está por vir e virá e os documentos analógicos serão, ai, fundamentais, mais que aqueles feitos originalmente em DDD.

Abração (e parabéns pelo blog)
Marcos Pessoa

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