HiFi: identidade em áudio é uma questão de gosto?

Caixas acústicas; tecnologia e cultura:
Uma questão de gosto?

(Caros: Para começar transcrevo o meu próprio texto editado neste mês na revista Home Theater. Em seguida pretendo rever o conteúdo deste Blog...É apenas um começo!!)

Cada povo tem sua cultura na linguagem e na forma de expressar seus sentimentos. Uns mais emotivos outros introspectivos; uns que gesticulam e outros que se concentram na manifestação através da voz ou mesmo dos seus esforços musculares na manipulação de instrumentos musicais: ferramenta criada há milênios e renovada constantemente na busca de uma matéria prima sonora que é reconhecida por ouvidos e cérebros educados na memória de uma referência que atravessa o tempo, memória sempre jovem e íntegra. Como é o som "colorido" pela tecnologia? A identidade sonora revela um gosto ou uma pré-disposição? Amigos me perguntam: Porque os fabricantes de caixas acústicas ostentam um catálogo de produtos tão rico nas suas variantes? Digo que cada modelo de caixa tem o seu cliente; ou melhor; a diversidade não é uma questão de gosto; a diversidade é um fato! A caixa acústica é uma interface analógica ao processo de transmissão das ondas sonoras geradas a partir do exercício e do esforço corporal que movimentam cordas, percussões, madeiras e o próprio corpo. Este movimento é surpreendido pela criatividade de cada artista ao controlar efeitos conseqüentes da física, do tempo, da percepção da informação no pano de fundo caracterizado pelo silêncio e outros atributos sejam técnicos ou especificamente culturais. Imaginemos uma expressão de um sentimento através da música e do canto vinda de três ou quatro povos de diferentes regiões e etnias; não teríamos situações absolutamente distintas em pano de fundo, intensidade, altura e timbre? E na escala musical? E na imagem que o som nos reflete? Como a tecnologia se manifesta ao se adequar à tamanha riqueza nas manifestações humanas? Senão, qual o verdadeiro papel da tecnologia ao se posicionar diante das diversidades culturais? Sejamos francos; será que na Índia de hoje não se apreciam, ao lado dos eruditos compositores ocidentais, as riquezas cromáticas, nuances e sutilezas da música regional?



Vamos ao ponto: senão considerar um produto que prima por um realismo inquestionável a partir da máxima fidelidade com a física da reprodução sonora (apenas sonora e não musical que tem atributos culturais) teremos como referencia absoluta a "verdade cientificamente comprovada". Como o nosso ouvido não é um eletrodo, ponta de prova ou simplesmente um microfone, e como nosso sistema neurológico não é uma CPU ou um processador Von Newmann, portanto a nossa fonte musical é um Stradivarius, um Steinway, Harmonium, Tabla e a nossa eletrônica é uma Bowers and Wikins, Klipsch, Marantz ou Cabasse. Todos os grandes responsáveis de marcas da essência da palavra marcam a sua assinatura expondo seu sobrenome, sua cria e suas virtudes. Os tempos passam e a tecnologia se renova e as assinaturas ficam. Os que assinam seus produtos estão colorindo as nossas percepções e emoções oferecendo o lado humano, ao meu ver, verdadeiro e mais honesto papel da tecnologia. Os técnicos que vendem seus produtos que "interfaceam" os nossos ouvidos não devem ostentar uma convincente (?) bateria de números e gráficos que jamais podem traduzir uma identidade, uma persona! Vamos entender que os produtos são frutos de um processo e de uma avaliação que tem lugar, berço, cultura e sobrenome. Saiba mais sobre suas necessidades, paixões e emoções. Procure conhecer ou reconhecer os seus semelhantes, falando em regiões e origem cultural de cada fabricante de caixas acústicas. Aposto que por um quinto do preço de um carro popular e por cinco anos no mínimo, poderá comprar, manter e apreciar um sistema de áudio com nome e sobrenome assinado por quem estuda e comprova uma necessária coerência. Entre as marcas e sobrenomes mencionados nesta coluna saiba mais sobre o histórico e a magia que nasce junto com cada produto cuja razão da existência é o seu desejo orientado pela sua percepção, cultura e desejo de se emocionar pela beleza e humanização da mais universal das artes: A linguagem musical. Amigos que defendem o famoso argumento "eu não tenho esse ouvido todo" vão se surpreender. Movimente seus sentidos e sentimentos!

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